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Créditos da Imagem: Best Selling Cars Blog
O Jerónimo é o meu carro. Um Renault 11 GTL Phase 1, 1.4 de 1985. É um charuto velho, mas é meu. Tem a minha idade, tem o charme de um carro antigo, tem peripécias para contar e muitas memórias associadas. Como se costuma dizer, já fui muito feliz com aquele carrito. De vez em quando, decide ser temperamental e avaria. É uma chatice, quase como as birras de um adolescente. 
Eu gosto de carros. É quase anti-natural que uma mulher o diga. Porquê, não sei. Sempre gostei de motores e sempre gostei de ver como as coisas funcionam. Para mim, o automóvel é uma maravilha moderna, à qual damos pouco valor até termos que chamar a assistência em viagem. E acho um desperdício que as mulheres não se interessem pela máquina que usam diariamente, nem que seja por uma questão de "desenrasco". 
Ontem, o meu Jerónimo decidiu bufar pelos travões. Há umas semanas, já tinha decidido ter ataques de fúria em que sobreaquecia. Dessa vez, foi uma avaria relativamente simples: mudar o radiador. Desta vez, o bufar dos travões parece que não vai ser tão simples.
Lá me inscrevi num fórum sobre renaults, e enviei um email a um formador meu. Convém dizer que sou formanda de mecatrónica há pouco tempo, pelo que ainda não tenho noções claras deste tipo de sintomas nos carros. Mas tenho a certeza que vou conseguir resolver a avaria, com mais ou menos tempo, e mais ou menos recursos.

E isto faz-me pensar... Quantas mulheres saberão mudar um pneu? Quantas saberão lidar efectivamente com a máquina que conduzem? Quantas entendem o que levam nas mãos diariamente? Aqui, não é uma questão de gosto, creio eu. É, isso sim, uma questão de necessidade. Porque é que havemos de estar dependentes de terceiros (pais, irmãos, namorados, maridos....) para lidarmos com um veículo? 

Os conhecimentos básicos sobre a mecânica automóvel que deveriam ser exigidos na carta de condução não são apenas uma curiosidade masculina. São acima de tudo uma questão de segurança na estrada. A compreensão do funcionamento do veículo leva a que o condutor saiba comportar-se perante situações de avarias, especialmente quando estas acontecem ou se desenvolvem em andamento.

Ontem, quando vinha para casa, o meu carro passou a travar só a 40% se tanto. Foi o entendimento sobre o sistema de travões do R11 que me permitiu chegar de forma segura a casa, abrandando o carro com a caixa (redução de velocidades) e carregando várias vezes no pedal do travão em vez de ficar com o pé lá em baixo (que seria a reacção de pânico). Não digo, evidentemente, que não se deva parar o carro e chamar a assistência em viagem. Mas digo, com toda a certeza que se não tivesse tido presença de espírito perante a avaria que aconteceu em andamento, certamente que poderia ter tido ou provocado um acidente.

Food for thought... Não é hora de aprender um pouco sobre mecânica?
 


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    Quem me conhece acha que tenho uma vida cheia de curiosidades e volte-faces. Não há dia em que não faça ou aprenda uma coisa nova. Sou, eu própria, uma pessoa de gostos singulares. Tão depressa falo sobre mecânica como a seguir estou a fazer bolachas caseiras ou a tricotar, ou a bisbilhotar a últimas novidades no mundo da moda e do design. 
    O nome Transversalidades surgiu-me para este Blog porque é impossível que eu escreva sobre um só assunto. Hoje é isto... amanhã, quem sabe?

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